Home Facebook Twitter LinkedIn Feed Perfil Email
Nit Portal Social

↑ Grab this Headline Animator

quarta-feira, 13 de julho de 2016

VOCÊ TEM FOME DE QUÊ?


Folheando algumas revistas antigas encontrei uma pesquisa realizada com crianças em fase escolar, onde foram apresentadas a elas figuras de outras crianças cadeirantes, com muletas, com desfigurações faciais e gordas, de longe as obesas foram as mais rejeitadas

Esta pesquisa demonstrou que a discriminação começa na tenra infância onde a identidade social e psíquica está em formação e quem vem sendo perpetuado ao longo da história, exemplo disso, não falta. Mulheres obesas recebem salários menores, são questionadas no desempenho produtivo pela frequente associação entre o peso e os problemas de saúde. Voltando a questão do impacto da obesidade e imagem corporal nas crianças, temos aí uma gama de filmes e contos de fadas com príncipes e princesas magérrimas, lindíssimas, repletas de qualidades e se fossem reais, poderíamos dizer que fizeram cirurgia plástica ou sofrem de algum distúrbio alimentar como a anorexia. São padrões impostos que não poupam nem os nossos pequenos!

Mas um roteiro da Disney muito chamou atenção pelo paradoxo desta realidade. Quem se lembra do Shrek, um ogro feio, gordo, mal humorado e desonesto, quando lhe convinha, um verdadeiro herói às avessas. E mesmo diante dos seus defeitos e qualidades, uma linda princesa, a Fiona se apaixonou por ele do jeito que era, o amor de ambos foi além das diferenças, dos estereótipos e vencendo os preconceitos, a princesa abriu mão da sua bela forma para se assemelhar à forma física dele.
filme de animação


Hoje é lamentável a busca incessante pelo ideal de beleza - corpos perfeitos preparados para a competição desfilando num mundo consumista e superficial de juventude constante, sinônimo de autoestima e autonomia.

Participei do VII Congresso Brasileiro de Transtornos Alimentares e Obesidade, muitos estudiosos da área reforçaram o impacto do stress no ganho do peso, as alterações do comportamento alimentar e da imagem corporal com o crescente avanço de doenças como bulimia, anorexia, compulsão alimentar e desenvolvimento de outros quadros depressivos, transtorno do pânico, personalidade borderline, alcoolismo, controle dos impulsivos, entre outros. Mas não foi sempre assim.

Entre as décadas de 20 e 50 o corpo mais robusto passava a ideia de fartura, saúde e prosperidade. Segundo a * Dr. Sant´Anna, foi somente na década de 60 que o culto da beleza ganhou espaço, as propagandas associavam o excesso de peso a doenças. Nesta época a Revista Cláudia fez a primeira matéria sobre celulite e a balança (Filizola) foi inserida nas farmácias, assim, o controle do peso passou a se relacionar diretamente com a pessoa. A ideia de riqueza, sucesso, mobilizou a subjetividade para a nova identidade; ser magro.

Por outro lado nunca se apelou tanto a propagandas de alimentos nocivos e fast food sem qualidade nutritiva, se come na rua, se pede em casa. É contraditório, cruel e desumano. Quem sofre é o obeso e compulsivo que vive de (e para) regimes restritivos e punitivos, sentindo o corpo preso num cárcere. Já ouvi alguns afirmarem "este corpo não me pertence, vou emagrecer pra renascer num corpo desejante", ou seja, o que motiva é aceitação social, autoestima, novas experiências e satisfação emocional, afetiva, sexual e social. Lidam mal com as sensações físicas de fome física e fome emocional. São frágeis e seu mundo interno é carente de satisfação, por isso, sentem raiva, irritabilidade, frustração, desesperança, sensação de perda de controle, vazio e medo de nova rejeição. É comum ouvir de leigos e até colegas profissionais que o obeso não tem "força de vontade" ignorando os inúmeros fatores que o levaram a este quadro, por isso, este tratamento deve ser realizado por especialistas da área, concomitante, a uma equipe multiprofissional formada de psicólogo, nutricionista, professor de educação física e psiquiatra.

Neste tratamento além dos relatos das experiências de rejeições sofridas, dos olhares externos de repúdio e hostilidade, apelidos pejorativos e toda simbologia que a gordura significa; substitui-se a pessoa pela identidade de "gorda". É imprescindível que o psicólogo mantenha uma escuta contextualizada e individualizada ao identificar questões fundamentais; o que o leva a colocar o alimento em função de desejos e necessidades que não tem relação com a "nutrição fisiológica"; Qual função da comida, o que ela substitui e representa?  Não será fácil mexer nas cicatrizes da infância, nas situações ignoradas, mas já é hora de sair da defensiva; os obesos têm a tendência a olhar o corpo como algo que não lhes pertence, então, não se comprometem com aquilo que não é seu! Neste sentido, será preciso o compromisso com o árduo processo de autoconhecimento, mudança de comportamentos e pensamentos para adquirir autonomia das escolhas futuras.

Para finalizar, ressalvo que a abordagem fenomenológico-existencial procura ampliar a percepção numa base realista, não adianta querer voar se não se têm asas, mas compreender seu modo de existir, seu lugar no mundo, tentando ampliar essas possibilidades até a liberdade almejada para além dos paradigmas exigidos e valorizados.

 Por Valéria Fátima da Rocha

A ABESO é uma sociedade multidisciplinar sem fins lucrativos que reúne cerca de 500 associados espalhados por todo o país, das diversas categorias profissionais envolvidas com o estudo da obesidade, da síndrome metabólica e dos transtornos alimentares: endocrinologistas, nutricionistas, clínicos gerais, cardiologistas, psicólogos, psiquiatras, cirurgiões, pediatras, nutrólogos, professores de educação física, fisioterapeutas, etc. 

Qual a nossa missão?

Promover pesquisa em obesidade. Promover oportunidade de disseminar estas pesquisas e os conhecimentos delas advindas entre os interessados. Disseminar, em todos os meios, o fato amplamente demonstrado de que a obesidade é doença, é um problema crescente, pode levar a óbito, e deve ser prevenida ou tratada com todos os meios disponíveis. Lutar para que a ética prevaleça no contato entre profissionais que tratam a obesidade e a síndrome metabólica e as pessoas tratadas, assim como para que prevaleça também na abordagem do assunto na mídia.

Acesse o link e conheça o trabalho da ABESO.

Ana Porto/Sergio Honorato
Gestores
Nit Portal Social
Planejamento, Gerenciamento, Monitoramento de Mídias Sociais para Empresas e Responsabilidade Social

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Aqui seu comentário é muito importante!

Leia também...

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Postagens populares