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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

SOLIDÃO: COMO LIDAR COM ELA!

Somos a soma de nossas experiências, sejam elas boas ou ruins. E já na tenra idade é possível harmonizá-las projetando uma identidade positiva e sedimentada por laços de amor, entrega, transparência, respeito com as diferenças, com base na confiança em si, no outro e com todos os seres circundantes.   A vida em sociedade propiciou a evolução da nossa espécie, sobrevivemos, partilhamos o que aprendemos em comunidade, interagimos e transmitimos cultura. Foram recursos que nos tornaram parte de algo maior e ao mesmo tempo, seres únicos na construção de uma individualidade mediada por crenças, valores e convicções. 

Esta trajetória é um convite a ser protagonista e autor da própria biografia. Por isso é um chamado solitário, intransferível e inalienável onde a compreensão deste processo contribuirá para a reflexão, autoconhecimento, processos decisórios e autotransformação.

O que a solidão não é

O senso comum apregoa vários significados à solidão chegando a ser comparada como sinônimo de castigo, abandono, autopiedade, desilusão, isolamento de quem vive no passado e não tem perspectivas de futuro.

É importante desmistificá-la, este tipo de olhar transforma a solidão numa fome afetiva que nada e ninguém poderá preenchê-la. E há quem se acotovele em bares, sofra por não ser convidado a uma reunião social, familiar ou por não ter seus convites aceitos, sofra na ausência de uma programação no final de semana, na falta de um parceiro ou parceira, na perda de alguém significativo, na vida conjugal quando cada qual vive a solidão a dois ou no simples perambular de uma multidão anônima.

 


O mais triste desta experiência é que aquele que deseja ir à reunião social ou familiar, nem sempre quer se divertir, sentir o calor humano e partilhar experiências, por exemplo. Ser convidado é a prova de ser querido e amado pelo grupo, muito próximo a sensação de estar gestado no ventre materno. Por outro lado, a aceitação social é uma questão tão valorizada que estar sozinho pode representar o passaporte para a falta de prestígio e sucesso pessoal.

Neste lugar, a solidão é uma das sensações mais temidas e desagradáveis, sendo capaz de trazer instabilidade, vulnerabilidade, medo, vazio, frustração e nostalgia. Normalmente a dor é tão dilacerante que se apela à fuga da realidade na ânsia de ter ou encontrar alguém a qualquer custo. É nesta prisão sem grades que se espera fundir-se no outro, no afã de se sentir querido, valorizado e o mais longe possível do fantasma do "fracasso" chamado solidão.


Estamos quase chegando ao final de mais um ano e espero que essas considerações possam ser avaliadas com menos peso e sofrimento, o outro pode oferecer apoio, mas não será a resposta para as inquietações e nem completar o que falta em mim - a realidade é que nascemos, vivemos e morreremos sós.






E nesta jornada não cabe carona! Por isso, o maior desafio é se comprometer com a integridade emocional, com o crescimento e o significado do empoderamento capaz de fortalecer e dar sentido a vida.
Uma vez lançados no mundo, temos um belo projeto a executar e quando se tem a si mesmo nunca se padece de solidão, pelo contrário, se adquire uma força inesgotável de vida que se nutre na poética e na beleza de tudo que existe na face da Terra.

Como diz os versos de Fernando Pessoa:

"Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão,
continuaremos a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é necessário ser um."

Ah, Clarice Lispector...

"Que minha solidão me sirva de companhia.
Que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo."

Por Valéria Fátima da Rocha
Psicoterapeuta Existencial 
Artigonal

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